domingo, 2 de setembro de 2012


O que é navegar à deriva?
NAVEGAÇÃO À DERIVA

Quem navega à deriva
Sabe que há vida além dos mares nos mapas
Além das bússolas, astrolábios, diários de bordo
Além das lendas dos monstros marinhos, dos mitos

Quem navega à deriva
Acredita que há nos mares miragens, portos
Inesperados, ilhas flutuantes, botes e salva-vidas
Água potável, aves voando sobre terra, vertigem

Quem navega à deriva
Aprende que há mares dentro do mar à vista
Profundidade secreta, origem do mundo, poesia
Escrita cifrada à espera de quem lhe dê sentido

Quem navega à deriva
Se perde da costa, do farol na torre, dos olhares
Atentos, dos radares, das cartas de navegação
Imigra para mares de imprevista dicção

MARCUS VINICIUS QUIROGA
Poeta, contista, crítico e ensaísta, doutor em Literatura Brasileira; membro do Pen Clube; ex-colaborador do suplemento Idéias e dos jornais Panorama, Poesia Viva e RIOLETRAS.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

                                    O LENHADOR E A RAPOSA

        Um lenhador acordava todos os dias às 6 horas da manhã e trabalhava o dia inteiro cortando lenha, só parando tarde da noite. Ele tinha um filho lindo de poucos meses e uma raposa, sua amiga, tratada como bichano de estimação e de sua total confiança. Todos os dias, o lenhador — que era viúvo — ia trabalhar e deixava a raposa cuidando do bebê. Ao anoitecer, a raposa ficava feliz com a sua chegada.
    
     Sistematicamente, os vizinhos do lenhador alertavam que a raposa era um animal selvagem, e, portanto, não era confiável. Quando sentisse fome comeria a criança. O lenhador dizia que isso era uma grande bobagem, pois a raposa era sua amiga e jamais faria isso. Os vizinhos insistiam: Lenhador, abra os olhos! A raposa vai comer seu filho. Quando ela sentir fome vai devorar seu filho!
    
      Um dia, o lenhador, exausto do trabalho e cansado desses comentários, chegou à casa e viu a raposa sorrindo como sempre, com a boca totalmente ensangüentada. O lenhador suou frio e, sem pensar duas vezes, deu uma machadada na cabeça da raposa. A raposinha morreu instantaneamente.
    
     Desesperado, entrou correndo no quarto. Encontrou seu filho no berço, dormindo tranqüilamente, e, ao lado do berço, uma enorme cobra morta.


Se você confia em alguém, não importa o que os outros pensam a respeito, siga sempre o seu caminho e não se deixe influenciar...

Quantas vezes, você agiu como um lenhador na sua vida, estando em casa, no local de trabalho, na escola, na faculdade, no bairro onde você mora?!!! Quantas raposas você já sacrificou, feriu ou magoou?